Alerta verde: o apelo papal pelo meio ambiente

Meio ambiente

As últimas declarações do Papa Francisco nos fazem refletir sobre questões imprescindíveis para nossa existência, mas sobre as quais pouco se fala e menos ainda se faz a respeito na esfera pública.

A “encíclica verde”, como ficou conhecida, apresentada pelo Papa Francisco chamou atenção da população mundial aos problemas ambientais e ao cenário de futuro catastrófico que se desenha a partir da maneira com que se trata o nosso ecossistema hoje.

A carta foi publicada oficialmente no dia 18 de junho, e num sequente discurso do Papa, no II Encontro dos Movimentos Populares, na cidade de Santa cruz de La Sierra, pouco menos de um mês depois da publicação da encíclica, o tema novamente veio à tona, o que nos faz pensar que, de fato, esse líder religioso está voltando suas forças à questão ambiental.

Em seu discurso, o Papa provoca essa inadiável reflexão: “Comecemos por reconhecer que precisamos de uma mudança. Quero esclarecer que falo dos problemas comuns de toda a humanidade. Problemas, que têm uma matriz global e que atualmente nenhum Estado pode resolver por si mesmo. Reconhecemos nós que as coisas não andam bem, quando o solo, a água, o ar e todos os seres da criação estão sob ameaça constante?”.

A importância do diálogo inter-religioso aparece muito nitidamente aqui e nos apresenta um momento interessante para expor o tema da Cultura da paz.  O fato de esse apelo ecológico partir de uma instituição católica, não deve de forma alguma atrapalhar as ações conjuntas de qualquer segmento social em prol do nosso meio ambiente, o bem mais precioso da humanidade. É preciso enxergar o bem comum acima de qualquer divergência de crenças e é isso que defende a Cultura da Paz.

Na esfera regional, infelizmente assistimos uma gestão que pouco se importa com nosso meio ambiente e recursos naturais. No começo desse ano, assistimos a um verdadeiro crime ambiental em Ponta Grossa, fruto do funcionamento de um aterro que recebia resíduos de outros municípios.

Por meio de licença concedida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o aterro colocou em risco a integridade ambiental do local com possibilidade iminente de contaminação do lençol freático, que representa área de recarga do Aquífero Furnas, comprometendo seriamente a distribuição de água do local, que além de tecnicamente inadequado, é considerado paisagem turística e patrimônio dos Campos Gerais. Por meio de articulação com lideranças importantes da região, como o Fórum das Águas dos Campos Gerais e dirigentes da causa ambiental, felizmente, foi suspensa a liminar que permitia a operação da primeira célula do Complexo Eco ambiental de Ponta Grossa (CEAPG), impedindo o funcionamento do aterro.

A partir desse cenário, reafirmo a proposta do Papa, para que se faça essa discussão mais do que oportuna: Será que reconhecemos que este sistema impôs a lógica do lucro a todo o custo, sem pensar na exclusão social nem na destruição da natureza?

Concluo que precisamos agir e adequar incessantemente a agenda pública a essa causa. Associações como o Fórum das Águas dos Campos Gerais são substanciais nesse momento e merecem todo o apoio possível. Precisamos atentar para essas ações e apoiá-las em absoluto.

 

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