O Arco Norte como estratégia para a prorrogação dos contratos

A Rodonorte, como as demais concessionárias do pedágio, está empenhadíssima em obter a prorrogação dos contratos, seis anos antes de seu vencimento. Como todo mundo sabe, a concessão de nossas rodovias tem-se revelado um excelente negócio, mas não para o povo paranaense, que paga extorsivamente por serviços prestados e até por muitos outros não realizados.

Permanecer no negócio por mais 15 ou 20 anos, sem o risco de uma nova licitação, seria um presente dos céus para as concessionárias.

É assim que devemos entender a apresentação do projeto Arco Norte, 45 quilômetros de pista dupla, ao custo estimado de R$ 550 milhões (!) e objetivo declarado de aliviar o tráfego na atual rodovia do contorno de Ponta Grossa.

De fato, é preciso fazer alguma coisa para garantir segurança para a população. Muitas mortes ocorrem neste entroncamento, principalmente na avenida Souza Naves. Porém, causa espanto um projeto deste porte quando as concessionárias alegam não ter dinheiro para executar todas as obras previstas nos contratos em vigor.

Entre as obras que não serão mais realizadas, citamos como fundamental para nossa região a duplicação Piraí do Sul-Jaguariaíva, e há dúvidas sobre o término da duplicação Ponta Grossa-Apucarana sob o atual contrato. É uma necessidade premente para um novo contrato a duplicação Ponta Grossa-Palmeira (extensão de apenas 38 quilômetros),assim como muitos problemas poderiam ter sido evitados se a Rodonorte tivesse investido em trincheiras, marginais e sinalização adequada ao longo do trecho da rodovia no nosso perímetro urbano.

A disposição da Rodonorte em gastar R$ 550 milhões em curtíssimo prazo numa obra não prevista no atual contrato esclarece o quão lucrativa e vantajosa seria uma eventual prorrogação.

Há, no entanto, outro ponto. O projeto Arco Norte é ruim, tem um enorme impacto ambiental em nossa região mais preciosa, pelo cenário, belezas naturais e potencial turístico, para o qual deve ser plenamente planejada, com participação de toda a comunidade.

Passando pela antiga estrada do Botuquara, a obra cruzará o Rio Verde, impactando o Parque Nacional dos Campos Gerais e o Parque Estadual de Vila Velha, assim como o Capão da Onça. Sofrerão impactos igualmente o Recanto do Botuquara e o rio São Jorge, com seu conhecido leito de pedras e suas cachoeiras. Na estrada para Itaiacoca (que deveria ser uma estrada parque), o projeto prejudica o entorno do Buraco do Padre, com sua cachoeira no interior de uma gruta.

O projeto é ainda mais inaceitável quando há alternativa já proposta em 1990: fazer o contorno do outro lado da rodovia Curitiba-Ponta Grossa, onde o impacto ambiental seria bem menor. Além disso, permitiria fazer a ligação com a BR-277, por meio da duplicação até Palmeira.

Este projeto, se realizado, provocará uma expansão urbana incontrolável, aumentando o perímetro urbano, que é maior que o de Londrina, e estimulando a especulação e incorporação imobiliárias. O projeto atende ainda a interesses de alguns setores econômicos, como a construção de um aterro sanitário, que deverá receber o lixo da região metropolitana de Curitiba. Isso numa região que, como dissemos, abarca as maiores belezas naturais do município de Ponta Grossa.

Eis porque o projeto Arco Norte deve ser questionado, bem como a prorrogação dos contratos do pedágio.

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