Um portal para os Campos Gerais

Em 2012, uma Comissão Especial de Investigação (CEI) da Assembleia Legislativa (Alep) apurou os problemas relativos ao Museu e concluímos que são poucos os entraves à sua inauguração e consequente abertura ao público. Em sua maioria, são problemas burocráticos de formalização de convênios e, como já salientei, a reforma da estrutura física. Com boa vontade política, poderão ser resolvidos.

A emenda que apresentei ao PLOA é uma maneira de solucionar os problemas políticos e burocráticos. Através dela, o governador poderá destinar os recursos necessários à conclusão do Museu com base na Lei Orçamentária. Espero que a nossa iniciativa tenha adesão por parte dos deputados e também a sanção do governo do Paraná. A respeito disso, estou particularmente otimista, pois em 2011 ocorreu uma Audiência Pública na Alep em que os representantes da Fundação João José Bigarella – Funabi (instituição responsável pelo projeto do Museu) conseguiram sensibilizar 52 dos 54 deputados, que assinaram uma moção de apelo ao governador para que o museu fosse criado.

Se os parlamentares mantiverem o apoio, o Estado terá à sua disposição uma obra de valor inestimável que vai gerar benefícios em várias áreas. O turismo vai receber sensível incremento e o museu seria uma espécie de Portal dos Campos Gerais, incentivando a integração entre nossas cidades, assim como entre as universidades federais e estaduais do Paraná. Desse modo, os bons resultados se estenderiam do turismo à educação, passando pelo desenvolvimento científico e socioambiental até a valorização da nossa cultura.

Sobre o impasse relativo à gestão do espaço e sua manutenção, o relatório da CEI inclui as instituições de ensino superior, como a UEPG, com participação da Ecoparaná, Mineropar, Instituto Ambiental do Paraná e Paraná Turismo. Com um corpo técnico competente e gestão compartilhada, o Museu se transformaria em um Centro de Excelência em Geociências, designação mais apropriada a seus objetivos.

Segundo o presidente da Funabi, Glaucon Horrocks, o museu atrairia, além dos turistas que já procuram o Parque Estadual de Vila Velha, pesquisadores, cientistas, professores e alunos do mundo todo. Isso aconteceria porque o museu conta a história do nosso planeta e, especialmente, das formações rochosas de Vila Velha, que só tem um paralelo em todo mundo, localizado na Austrália. É uma das formações geológicas mais raras da Terra.

Contando a história através das rochas, o museu também conta como se deu a nossa formação enquanto território, um discurso eloquente sobre nossas belezas naturais, resultado de um trabalho de décadas de um dos maiores estudiosos do assunto, o professor João José Bigarella, cientista considerado pela comunidade científica nacional e internacional como um dos expoentes da Geologia em todo mundo.

O célebre escritor russo Liev Tosltói, que viveu entre os séculos XIX e XX, disse em certa ocasião que se quisermos ser universais, devemos falar sobre nossa aldeia. O Museu de Vila Velha tem a capacidade de falar de forma especial sobre quem somos, fazer-nos refletir sobre nosso passado e nos fazer sonhar com o futuro.

Projeto do Museu de Geologia e Paleontologia conta história da origem da Terra até a formação dos arenitos do Parque Estadual de Vila Velha             (Foto: Divulgação/Funabi)

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