Audiência discute crise entre governo e universidades

7eecb121-1954-41fe-bff0-940a7f7b86eb

Discutir os desafios e perspectivas das universidades estaduais do Paraná foi o objetivo da Audiência Pública realizada na manhã desta terça-feira, 11, no Plenarinho da Assembleia Legislativa (Alep).

A reunião foi convocada pelas comissões de Cultura, Direitos Humanos, e de Ciência e Tecnologia da Alep e contou com a participação de deputados estaduais, assim como de reitores, professores, servidores e alunos das Instituições de Ensino Superior (IEEs) do Paraná. Os representantes do governo foram convidados, mas não compareceram.

Para o deputado Péricles de Holleben Mello (PT), que presidiu a audiência, o governo promove um ataque sistemático às IEEs usando como pretexto o discurso da transparência e da redução de custos. “O chamado Meta 4 e a transformação do Regime de Tempo Integral e Dedicação Exclusiva (TIDE) em gratificação atacam diretamente a carreira dos professores e o próprio conceito de universidade, que não se resume a apenas o ensino, mas engloba a pesquisa e a extensão. As universidades estaduais são espaço fundamental para o desenvolvimento do Paraná e a relação custo-benefício é extremamente favorável”, disse o deputado ao início da reunião.

dc7c11e0-b7c8-4e98-ac0c-171881d419b6

O reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Carlos Luciano Sant’Ana Vargas, destacou o papel das universidades. “As instituições de ensino superior atendem as comunidades em várias áreas, inclusive em setores que são de obrigação das prefeituras, do estado e da união, como o atendimento a egressos da população carcerária, o trabalho dos hospitais, Cultura e prestação de serviços a empresas que se instalam nas cidades. Estamos propondo ao governo que defina um prazo para que um grupo possa discutir a atual crise e encontre alternativas”.

08e46098-1d68-4be9-a386-9c3d71a6021f

O reitor da Universidade Estadual de Maringá, Mauro Antonio Baessso, defendeu a completa autonomia das IEEs. “Não se constrói uma universidade pública com viés de controle de pensamento. As mudanças no TIDE e o Meta 4 são interferências políticas que não podem acontecer. Já somos avaliados por mecanismos nacionais e internacionais e funcionamos de forma semelhante às melhores universidades do mundo”, salientou o reitor.

O professor Nilson Magagnin Filho, presidente do Sindicato dos Professores de Ensino Superior de Londrina, a crise entre governo e universidades não começou agora. “Decretos que inibem a contratação de professores e técnicos e restringem a reposição desses profissionais já foram editados anteriormente. As questões relativas ao TIDE e o Meta 4 são ataques frontais à autonomia das instituições. As universidades devem ter liberdade para administrar suas próprias prioridades. Com essas ações, o governo pode decidir qual pesquisa é importante, qual professor vai ter acesso aos recursos, impedir a progressão de professores e técnicos e controlar o funcionamento da universidade”, exemplificou.

Deixar de lado a política de governo e fazer política de Estado é a saída para a atual crise das universidades, na opinião do presidente do Sindicato dos Técnicos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Marcelo Alves Seabra. “Estabelecer o Meta 4 é cercear promoções e progressões dos servidores. Além disso, precisamos de maior participação popular nas universidades para que a população conheça mais o trabalho que é realizado e não se deixe confundir pelas informações do governo”, sugeriu.

A aluna Aneliza Barbosa, presidente do Diretório Central dos Estudantes da UEL, alertou para problemas que são tão graves quanto o Meta 4. “Temos péssimas condições na UEL e isso não é diferente das outras estaduais. O governo fala sobre o custo de cada aluno para justificar a redução de recursos, mas hoje quase tudo é pago. É gasto um grande valor em fotocópias porque há falta de livros, recursos de especialização são por conta dos alunos, assim como qualquer documento. Até as atividades esportivas, que deveriam ser obrigação das universidades, são pagas”, disse, alertando para a privatização de diversos aspectos do Ensino Superior.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *