Campanha da Fraternidade e Cultura da Paz são temas de audiência pública

Audiência Pública "Campanha da Fraternidade 2018 - Fraternidade e Superação da Violência"

Por Trajano Budola e Luiz Alberto Pena

A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) promoveu audiência pública ao final da tarde desta terça-feira (27), em seu Plenarinho, para dar especial destaque à Campanha da Fraternidade de 2018, cujo tema é “Fraternidade e superação da violência”. A campanha foi lançada pela Igreja Católica na última Quarta-feira de Cinzas (14), conforme estabelecido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Para o deputado Péricles de Mello, a Campanha da Fraternidade toca no que ele considera o maior problema do Brasil hoje. “Não só a violência direta, que se revela em um dos números de homicídios mais altos do mundo, mas também a violência do preconceito, contra a mulher, o negro, a criança ou a violência religiosa, contra diferentes denominações”, afirmou. A superação da violência é, para o deputado Professor Lemos, uma questão cultural a ser transposta. “Ela afeta a população brasileira com a sonegação de direitos, como à escola de qualidade, à universidade, ao trabalho e onde morar, por exemplo. A campanha da Fraternidade nos oportuniza este debate para, mais do que refletir, construir condições com leis e programas que alterem esta realidade”, explicou.

Audiência Pública "Campanha da Fraternidade 2018 - Fraternidade e Superação da Violência"

De acordo com o bispo Dom Francisco Cota, a Igreja Católica propõe caminhos para superação da violência com participação de todos. “Caminhos de trabalho com a união da igreja, do poder público e da sociedade civil para somar forças e buscar alternativas que nos ajudem neste quadro dramático que tanto nos afeta”, afirmou. Já para seu coordenador, João Santiago, a CNBB assume com a campanha da Fraternidade em 2018 denúncias de pastorais da juventude sobre violência sistemática no Brasil. “Existe no país um extermínio de jovens, e os números, infelizmente, estão confirmando esta afirmação”, explicou.

O evento no Legislativo estadual atendeu a uma proposição conjunta dos deputados Péricles de Mello (PT) e Professor Lemos (PT), reunindo, entre outras autoridades, Dom Francisco Cota de Oliveira, bispo auxiliar da Arquidiocese de Curitiba; João Santiago, coordenador da Campanha da Fraternidade de 2018 na Arquidiocese de Curitiba; o procurador de Justiça Olympio de Sá Sotto Maior Neto, representando o Ministério Público do Paraná; Salete Baêz, das pastorais sociais da Arquidiocese de Curitiba; e Marici Seles, promotora legal popular da Rede Mulheres Negras no Paraná.

Cultura da Paz – A Campanha da Fraternidade é realizada anualmente pela Igreja Católica no Brasil com o objetivo de despertar o espírito comunitário e a solidariedade dos fiéis e da comunidade em geral em relação a um problema concreto, que envolve a sociedade brasileira, buscando alternativas e caminhos de solução. A proposta da campanha deste ano é vencer a cultura do ódio e da violência, tão fortes na sociedade atual, a partir do reconhecimento dos cristãos de que “somos todos irmãos”. Nesse sentido, a orientação da Igreja Católica propõe que cada fiel seja sujeito ativo da construção de uma outra cultura, de muito mais fraternidade e de paz.

A campanha compreende que a questão da violência só pode ser superada pela integração do governo com a população efetivamente mobilizada – especialmente considerando que 2018 é também um ano eleitoral. Por isso mesmo, durante a campanha, cada paróquia vem sendo incentivada a ver, analisar e criar ações que levem os fiéis a se comprometerem com a superação da violência, por meio de gestos e de ações afirmativas locais.

O objetivo geral da campanha de 2018 desdobra-se em objetivos específicos, como os de anunciar a boa nova da fraternidade e da paz, estimulando práticas que expressem a conversão e a reconciliação no espírito quaresmal; analisar as múltiplas formas de violência, especialmente as provocadas pelo tráfico de drogas; identificar o alcance da violência na realidade urbana e rural, propondo caminhos de superação a partir do diálogo, da misericórdia e da justiça; e valorizar a família e a escola como espaços de convivência fraterna, de educação para a paz e de testemunho do amor e do perdão.

O movimento busca também identificar, acompanhar e reivindicar políticas públicas para superação da desigualdade social e da violência; estimular as comunidades cristãs, pastorais, associações religiosas e movimentos eclesiais ao compromisso com ações que levem à superação da violência; bem como apoiar os centros de direitos humanos, comissões de justiça e paz, conselhos paritários de direitos e organizações da sociedade civil que trabalham para a superação da violência.

Fotos: Pedro de Oliveira/Alep

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