Escarpa Devoniana ameaçada – Campos Gerais por um fio

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Essa semana percorri parte da Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana, acompanhado pelo professor doutor Gilson Burigo Guimarães, da UEPG.

Bem próximo dali, junto a rodovia e ao pedágio de São Luiz do Purunã, visitamos um importante sitio arqueológico tombado pelo patrimônio histórico do Paraná, onde pudemos testemunhar um registro paleontológico de valor inestimável; trata-se dos registros icnofósseis mais antigos do Brasil, marcas de invertebrados marinhos que existiram há 400 milhões de anos.

Ainda próximo ao pedágio, paramos em São Luiz do Purunã para ter uma vista da atividade de mineração que já toma conta de metade de um dos morros, bem próximo ao povoado. Em direção à Ponta Grossa pudemos observar que quase a totalidade do lado direito da rodovia já esta tomado por reflorestamento de Pinus, uma árvore invasora que se alastra com muita facilidade por ser disseminada pelo vento, colonizando toda a paisagem, competindo com as formas vegetais locais e causando diversos danos ambientais, prejudicando, assim, tanto a flora quanto a fauna que depende da vegetação original para sobreviver.

Na divisa dos municípios de Palmeira e Campo Largo, visitamos a capela de Nossa Senhora das Pedras, uma vista privilegiada da passagem do segundo para o primeiro planalto, que também é uma área de peregrinação de grande valor cultural e religioso.

Já no Paço do Pupo, percorremos o Mirante da Escarpa Devoniana, onde pudemos ter uma visão ampla da Escarpa e aproveitamos para visitar a futura sede dos Monges Beneditinos. No retorno para Ponta Grossa vimos as belas paisagens de campos próximas ao aterro do Botuquara.

Após uma parada para almoço em Carambeí seguimos até Castro, onde visitamos outro ponto com uma vista especial da Escarpa Devoniana, próximo à rodovia que liga Castro a Tibagi, num trecho da Escarpa que é conhecido como Serra de São Joaquim.

Foi um prazer imenso poder rodar um dia inteiro dentro da área da Escarpa Devoniana, principalmente acompanhado pelo técnico, geólogo e especialista na região, professor Gilson Burigo. Esta jornada só fez fortalecer meu desejo de lutar por esse patrimônio natural e cultural de todos os paranaenses, para que este cenário riquíssimo seja conhecido pelas próximas gerações.

É momento de desfazer esse discurso nocivo e equivocado de que a APA é prejudicial ao desenvolvimento. Precisamos urgentemente buscar alternativas para harmonizar a preservação ambiental com as atividades econômicas. O que esta em risco é uma das regiões mais maravilhosas do planeta.

Não é à toa que os viajantes antigos a chamavam de paraíso terrestre no Brasil. Confira o vídeo:

 

 

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