Péricles lembra “29 de abril” e avalia governo estadual

Depois do dia 29 de abril, governo optou por agir de forma terrorista contra professores

O deputado Péricles de Holleben Mello (PT) discursou na Tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) nesta quarta-feira, 25, e fez uma avaliação do governo Beto Richa a partir do episódio que ficou marcado como “Massacre 29 de abril”, onde professores e servidores públicos foram duramente reprimidos pela Polícia Militar quando protestavam contra projetos de lei do governo.

“O dia 29 de abril é simbólico na história do Paraná por causa da violência que aconteceu na Praça Nossa Senhora de Salete quando os servidores reagiram à retirada de seus direitos. Foram horas de bombas, gás lacrimogêneo e utilização de cães contra os servidores e até contra os parlamentares que se opunham aos projetos”, relata Péricles.

Para o deputado, a data também marca o início de uma mudança no processo político. “’29 de abril’ se tornou um símbolo da resistência, mas marca o início do retrocesso conservador no Paraná e no Brasil, tendo o nosso Estado como vanguarda do receituário neoliberal agressivo, que estigmatiza o servidor público e tenta torná-lo no bode expiatório da crise”, avalia.

Péricles analisa o quadro político do Paraná a partir da chegada do secretário de Finanças, Mauro Ricardo, que implantou mudanças. “No brasil, nenhum governo aprofundou tanto o receituário neoliberal quanto o Paraná. O governador entregou o governo ao secretário da Fazenda e Beto Richa se tornou invisível, não voltando sequer a comparecer na Assembleia Legislativa”, disse o deputado.

Na opinião de Péricles, o Paraná que resultou desse processo é diferente do que é registrado em discursos que elogiam o ajuste fiscal. “O Paraná que precisa ser lembrado é o Paraná que diminuiu o salário dos professores colaboradores, que degradou as escolas e que fez com que aumentasse a evasão escolar. É preciso lembrar do Paraná que age com violência contra a Reforma Agrária e a agricultura familiar. O Estado que segue a lógica de uma polícia apenas repressiva, que não investe na investigação e na prevenção de crimes”, ressaltou.

Péricles também fez questão de avaliar o cenário cultural do governo anterior. “O Paraná não discutiu sua identidade regional, nem teve uma política cultural. Além disso, prejudicou as universidades duramente na questão do custeio”, disse, salientando também que tanto as empresas estatais de água quanto de energia sofreram uma espécie de privatização indireta.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *