Projeto pretende instituir Justiça Restaurativa no Paraná

O Colégio Borell du Vernay, em Ponta Grossa, foi transformado em Escola Restaurativa

É de autoria do deputado Péricles o projeto de lei que institui no Paraná políticas para implementação da Justiça Restaurativa, Cultura de Paz e Transformação Social. O PL foi discutido em Audiência Pública em junho de 2017, na Assembleia Legislativa.

A proposta é inspirada no modelo do Centro Judiciário de Soluções de Conflitos e Cidadania de Ponta Grossa, que desenvolveu uma experiência aplicada na cidade e que vem trazendo muitos benefícios, mostrando uma nova forma de resolver os conflitos.

“A Justiça Restaurativa pode transformar o tecido social, expondo os conflitos e trazendo soluções pelo diálogo. Para isso, a formação de pessoas em cursos de mediação de conflitos para que possam implementar esse modelo é essencial e a experiência tem mostrado que funciona de forma muito efetiva”, disse o deputado.

Em Ponta Grossa, o Colégio Estadual João Ricardo Von Borell Du Vernay foi transformado em Escola Restaurativa com muito êxito, revertendo um quadro de extrema violência. Houve diminuição da necessidade de atendimento da patrulha escolar, os índices de indisciplina e violência baixaram muito e as relações de convivência dentro e fora da escola melhoraram sensivelmente.

Uma resposta para “Projeto pretende instituir Justiça Restaurativa no Paraná

  1. EIXO TEMÁTICO – Experiências e Propostas de Justiça Restaurativa

    RELAÇÃO JUSTIÇA RESTAURATIVA E EDUCAÇÃO:
    CÍRCULOS RESTAURATIVOS NA DISCIPLINA DE MATEMÁTICA

    Genice Bratti

    Resumo: A aplicabilidade da Justiça Restaurativa no âmbito escolar está na adaptação de Círculos Restaurativos, para a solução de conflitos. O método auxilia na recuperação de adolescentes com normas de convivência pacifica e adequadas para uma sociedade. Assim a metodologia aplicada em um colégio, na disciplina de matemática teve como objetivo geral promover práticas pedagógicas adaptadas para a redução da violência, atos ilícitos e outros pormenores sem a necessidade da intervenção judicial. A metodologia aplicada foi dos Círculos Restaurativos, cujos resultados foram divididos em planejamento, execução, avaliação e replicabilidade e conclui-se que é uma alternativa de favorecer a aprendizagem do educando ajudando no desenvolvimento social e pessoal.

    Palavras-chave: Justiça Restaurativa; Educação; Círculos Restaurativos.

    1. INTRODUÇÃO

    Este estudo apresenta uma experiência prática aplicando Círculos Restaurativos de acordo com as propostas de Justiça Restaurativa em uma disciplina de matemática.
    A justificativa de sua realização respalda-se no pressuposto de que no meio escolar as relações entre alunos, professores, funcionários, coordenação, direção, famílias e comunidade, surgem os conflitos, divergências, incompatibilidades de opiniões, e hoje a escola tem uma responsabilidade que vai muito além do ensino de um conteúdo pedagógico programado. Os educadores são impelidos a ter responsabilidade ativa em ensinar ao educando as habilidades de convivência com outros, que ajudarão em seu desenvolvimento social e pessoal.
    As habilidades de resolução de conflito são de grande valia para o educador tanto no âmbito pedagógico como metodológico.
    Desta forma o objetivo geral deste estudo foi almejar, através de uma educação preventiva, com práticas pedagógicas adaptadas, a redução de violência, atos ilícitos e outros pormenores, não tendo necessidade de intervenção judicial.
    Os objetivos específicos estabelecidos foram: adaptar as aulas, onde o educador tem o domínio de associação dos conteúdos programáticos específicos da série com a formação de um educando, com atitudes de humanização voltados para ações lícitas e adequadas para a convivência em sociedade; construir uma comunidade escolar capaz de identificação de suas necessidades com soluções adequadas para cada situação; envolver uma gestão democrática, espaços dialógicos e trabalho com valores, como respeito, solidariedade, responsabilidade, honestidade, cooperação, entre outros, e possibilitar práticas restaurativas nas escolas com um espaço compartilhado, onde as pessoas chegam, para obtenção de conhecimento para benefício de sua formação escolar e social.
    Apresenta-se então, uma revisão literária sobre a Justiça e os Círculos Restaurativos, a metodologia aplicada e os resultados que estão divididos entre o planejamento, a execução, a avaliação e a replicabilidade.
    As considerações finais confirmam a crença de que esta iniciativa é uma alternativa de intervenção no ambiente escolar para resolução de conflitos.

    2. JUSTIÇA RESTAURATIVA E CIRCULOS RESTAURATIVOS

    A Justiça Restaurativa, de acordo com Marshall, (2005, p.270) “é uma abordagem colaborativa e pacificadora para resolução de conflitos e pode ser empregada em uma variedade de situações (familiar, escolar, profissional, sistema judicial, etc.). ”
    Os valores que regem a Justiça Restaurativa são: empoderamento, participação, autonomia, respeito, busca de sentido e de pertencimento na responsabilização pelos danos causados, mas também na satisfação das necessidades evidenciadas a partir da situação de conflito. Esses valores podem ser aplicados para a formação do indivíduo.
    A Justiça Restaurativa também parte do princípio de que as relações podem ser restauradas baseadas nos valores de inclusão, pertença, solidariedade e escuta ativa, entre outros. Este irá incidir na prevenção da violência e diminuir os riscos de vulnerabilidade penal de adolescentes, instaurando novas formas de convivência.
    Por isso as práticas restaurativas têm como finalidade estabelecer uma comunicação não repressora.
    Os primeiros estudos acerca dessa temática foram idealizados pelo psicólogo americano Marshall (2011, p. 2) defendendo que:
    A comunicação não violenta (CNV) não é uma teoria, um método, uma técnica, nem uma ferramenta de comunicação, muito menos uma doutrina. Talvez esteja mais próxima de uma pesquisa contínua, uma abordagem ou plataforma viva e orgânica de aprendizado que nos guia para fortalecermos nossas conexões, construindo um ambiente mais propício para experimentarmos relações sustentáveis.
    Analisando sobre a ineficácia punitiva para consolidar a paz, novos caminhos vêm sendo traçados, com base na reflexão, no diálogo e no empoderamento das partes envolvidas em conflitos. Entre essas iniciativas, pode-se destacar a Justiça Restaurativa que propõe uma maneira diferenciada de intervenção, visando a reparação de danos, bem como o reequilíbrio das relações.
    Em síntese, de acordo com Zehr (2010) os principais princípios são: 1. Focar os danos e consequentes necessidades da vítima, e também da comunidade e do ofensor. 2. Tratar das obrigações que resultam daqueles danos (as obrigações dos ofensores, bem como da comunidade e da sociedade). 3. Utilizar processos inclusivos, cooperativos. 4. Envolver a todos que tenham legítimo interesse na situação, incluindo vítimas, ofensores, membros da comunidade e da sociedade. 5. Corrigir os males.
    Pranis (2010, p.19) ensina que quando os Círculos Restaurativos são utilizados como política de prevenção ao conflito e violência seus resultados são magníficos, pois permite a resolução de problemas comportamentais, de conflitos, assim como estimula as trocas de experiências e reflexões.
    Para Pranis (2010, p.21), “os círculos restaurativos superam outras ferramentas mediativas para transformação de conflitos. Pois, o fazem com o objetivo de dar suporte às partes, construindo espaços para suas demandas pessoais”, isto é, os Círculos Restaurativos objetivam ir além do acordo, preocupam-se também em construir um ambiente onde todos possam expressar suas necessidades mais íntimas.
    Neste contexto, os círculos restaurativos são ambientes de encontro onde prevalece o respeito às diferenças, firmando um compromisso com a não violência, restaurando a confiança mútua.
    Os Círculos Restaurativos apresentam propósitos distintos e neste sentido, Pranis (2010, p. 23), dita que os círculos apresentam as seguintes modalidades: “diálogo, compreensão, restabelecimento, sentenciamento, apoio, construção do senso comunitário, resolução de conflito e reintegração”.
    Os participantes para a construção do acordo discutem o que aconteceu, por que aconteceu, qual o dano resultante, o que é necessário para reparar o dano. Frisa-se que o círculo de resolução de conflitos não prediz o tratamento ou a solução do conflito, caminha no sentido de se criar estratégias, via de regra, um acordo para a gestão do conflito.
    Os Círculos Restaurativos são espaços dialógicos, uma roda dialogal de resolução não violenta de conflitos, que permite a participação de qualquer pessoa que esteja envolvida no conflito, direta ou indiretamente, objetivando a resolução de problemas, reparação de danos, restauração de segurança e dignidade.
    Os Círculos Restaurativos têm suas raízes plantadas em culturas indígenas da América do Norte. Estes tinham o hábito de se reunir em círculos para tentar resolver problemas da tribo.
    Pranis, Stuart e Wedge (2003) lecionam que essa modalidade tem suas origens nos rituais nativos americanos que iniciam os círculos com a invocação de uma cantiga tradicional, abrindo espaço para as falas dos participantes. Para garantir respeito e ordem a esse momento sagrado, usa-se uma pena de águia que passa de pessoa para pessoa para designar de quem é a vez de falar, e assim chegar a eventual solução do problema. O processo circular é de grande valia, pois traz a promessa de que todos os envolvidos se comportem uns com os outros de um modo mais bondoso, respeitoso e generoso.

    4. METODOLOGIA

    A abordagem em sala de aula com os discentes deve ser clara e objetiva, definindo conceitos e princípios da Justiça Restaurativa e relatando os objetivos almejados por tal prática no âmbito escolar.
    Todo o indivíduo do processo é autor da construção da nova metodologia, e com isso é necessário regras para o bom desempenho do coletivo.
    Assim foram estabelecidas as etapas a serem seguidas de acordo com os itens a seguir.
    • As turmas têm aproximadamente 40 alunos com espaço inadequado, e devido a isso o círculo se transforma em dois semicírculos;
    • Cerimônia de abertura – todos os alunos e professora relatam como estão se sentido no momento atual;
    • Peça de centro são as regras estabelecidas em conjunto para um convívio harmonioso tanto dentro de sala de aula quanto externamente;
    • Diretrizes são assuntos aleatórios ou específicos da matéria de matemática, pois depende dos acontecimentos do momento, para abordá-los;
    • Objeto da palavra serve para regulamentar o diálogo dos participantes.
    • O tempo, para discussão de um assunto estabelecido, depende de sua relevância;
    • Após, a aula transcorre naturalmente;
    • O professor encontra-se mais próximo do aluno, e a explicação e compreensão do assunto flui com maior facilidade.
    • Após a dinâmica diferenciada, com o vínculo que se formou entre os envolvidos na sala de aula, o aprendizado é superior ao esperado, pois há um comprometimento e respeito mútuo entre alunos e professor. Há uma troca de informações entre os alunos e professor, favorecendo o ensino/aprendizado de ambos. Os conteúdos programáticos são todos cumpridos no decorrer do ano letivo com maior qualidade.
    • Não necessita parar a aula para chamar a atenção com indisciplina ou conversas paralelas entre os alunos. Conversar no início de algumas aulas com o aluno sobre assuntos diversos e interessantes para a sua formação como cidadão de bem, não é perda de tempo, mas benefício para toda a sociedade.

    5 RESULTADOS
    Os resultados apresentados aqui contemplam as fases do planejamento, execução e avaliação e replicabilidade que estão descritos nesta sequência.

    5.1 PLANEJAMENTO

    O Colégio, cenário deste estudo, está inserido no bairro de Uvaranas em Ponta Grossa, no Paraná. É, comprovadamente o bairro que mais cresce na área urbana da cidade e um dos maiores em área territorial. Sua principal avenida é a General Carlos Cavalcanti, muito conhecida pelo seu grande tráfego e por ocorrerem muitos acidentes. O bairro abriga várias vilas, como Rio Verde, Núcleo Pitangui, São Francisco e Vila Odete, entre outros.
    As informações sobre a população deste bairro possuem origem no Censo de 2010 que registra que existem mais jovens do que idosos. No geral, a comunidade é tranquila, porém nas vilas mais afastadas, nota-se um maior índice de violência.
    Atualmente, a família tem passado para a escola a responsabilidade de instruir e educar seus filhos e espera que os professores transmitam valores morais, princípios éticos e padrões de comportamento, desde boas maneiras até hábitos de higiene pessoal. Claro que isso não é uma regra, pois têm pais e responsáveis que participam ativamente na vida escolar de seus filhos através de reuniões, convocações, APMF, conselho escolar, projetos de interação entre comunidade e o colégio.
    Este colégio é considerado de grande porte, com instalações na medida do possível adaptadas para receber os alunos. Todas as turmas têm mais de 30 alunos. Para aplicação deste projeto, na turma escolhida, as condições foram satisfatórias. O relacionamento entre os professores da turma é de cooperação e companheirismo, pois todos pensam em prol dos alunos para que o ensino/ aprendizagem seja de qualidade.
    A turma em questão foi o 1º ano Técnico em Alimentos, do ano de 2014, com vários conflitos de convivência entre os alunos como: agressões verbais com frequência, estima baixa, rendimento escolar insatisfatório, reclamações constantes dos professores. Matriculados nessa turma eram 32 alunos, que na maioria mostravam desinteresse e falta de compromisso com sua vida escolar.
    O ensino/aprendizagem só pode ocorrer quando há alguém querendo aprender, por isso a necessidade de auxiliar o aluno a enxergar a importância do conhecimento é primordial.
    A dificuldade encontrada para desenvolver um ensino/aprendizado adequado para esses alunos estava em relação à agressividade entre eles e à desmotivação em estudar. Porém a prioridade era resgatar a autoestima do aluno e em seguida, focar a palavra respeito, com sua definição e aplicação do conceito em suas vidas, através dos relatos da vivência de seus colegas em sala. Em médio prazo o objetivo foi conhecer o aluno, ter um diálogo de maneira diferenciada, adquirir a confiança, trocar informações, fazê-los se colocar na posição dos outros. Mostrar que eles são os sujeitos principais para ocorrer e fluir a aprendizagem. Em longo prazo a prioridade foi que o aluno assimilasse o conhecimento para o seu dia a dia, e por consequência a aprovação por média, além de formar um cidadão mais humano.
    Com a proposta do Curso Círculo de Justiça Restaurativa e de Construção de Paz, ofertada pelos magistrados da justiça viu-se a oportunidade, em setembro do ano de 2015, de aprimorar os conhecimentos jurídicos do autor deste trabalho. A abordagem do curso foi maravilhosa, aflorando ideias para trabalhar de maneira preventiva atos de violência.
    A prática pedagógica consistiu em realizar o Círculo Restaurativo para facilitar o dialógico de resolução não violenta de conflitos, onde se coloca o aluno no centro da decisão, criando um espaço seguro onde ele pode se expressar.
    Todos os alunos, incluindo o professor discutem a questão em pauta. A ideia é ajudar os alunos a expressar suas opiniões. Toda solução vem dos estudantes. Portanto eles são responsáveis pela retificação de seus atos. O trabalho desenvolvido e que continua foi a maneira encontrada para motivar os alunos. Não é fácil aplicar uma metodologia diferente, pois estamos acomodados e quando mexe com a nossa zona de conforto, é conflitante para todos os envolvidos.
    As aulas eram ministradas, cumprindo o conteúdo programático, com exemplos, exercícios, práticas, trabalhos, seminários e outros. Hoje o conteúdo programático é cumprido, porém com qualidade, pois o aluno demonstra interesse na aula, além de respeito e gosto pelo estudo. Isso é comprovado com relatos dos alunos, além da parte documental, como o rendimento escolar desejado. A turma em questão teve um melhoramento disciplinar visível por todos os professores, equipe pedagógica e pais.
    Para aplicação desta metodologia, realizou-se o projeto Círculo Restaurativo para estruturar e organizar o trabalho desenvolvido de forma adaptada a realidade escolar.
    O objetivo principal é obter escolas seguras, sem violência, onde haja respeito mútuo e diálogo, com isso todos podem aprender mais e melhor, formando cidadãos responsáveis por suas escolhas, construção de uma comunidade escolar capaz de identificar suas necessidades e achar soluções adequadas para cada situação, com recursos para cuidar da convivência entre seus membros. Uma escola que resolve pacificamente seus conflitos e dissemina a Cultura da Paz.
    O trabalho de Pranis (2011) publicado como um guia facilitador de círculos e os trabalhos de Vasconcelos (2008) e Petrucci (2012) auxiliaram no planejamento e execução desta experiência, porém ocorreram adaptações.

    5.2 EXECUÇÃO

    O trabalho foi desenvolvido em três etapas:
    1º Explanação para os alunos do que se trata o Círculo Restaurativo e seus componentes;
    2º Definição dos objetivos da aplicação do projeto Círculo Restaurativo;
    3ºA aplicação foi realizada através da construção de valores primordiais para o bom desenvolvimento das aulas e preparação da sala em dois semicírculos.
    Os encontros ocorrem em todas as aulas, a realização do projeto é contínuo no decorrer do ano letivo.
    A resposta dos alunos em relação à apresentação do projeto na maioria foi de aceitação, porém gera um desconforto de momento para alguns, pois é mudado o seu lugar, necessita expor suas ideias, construir o conhecimento através de discussões.
    Após um bimestre, os alunos encontravam-se acostumados e satisfeitos na aplicação do projeto. São vários os relatos escritos dos benefícios que geraram em suas vidas.
    Como a disciplina em questão é matemática, trabalhar dados estatísticos relacionados ao cotidiano dos alunos facilita a relação entre as diversidades de conhecimento. Alguns assuntos em pauta foram sobre família, sociedade, escola, gêneros, notícias da atualidade e outros.
    A diversidade de conhecimento só aprimorou o conhecimento dos alunos para a formação de um cidadão consciente de suas atitudes para interagir na sociedade.
    A interação entre os estudantes ocorreu de maneira respeitosa, pois definiu-se o “objeto da palavra” como detentor do momento de cada aluno expor sua opinião, críticas, ideias ou sugestões.
    No decorrer do percurso, algumas adaptações foram necessárias, como provas diferentes, mudança de lugar de alguns alunos. Os obstáculos foram contornados com os envolvidos com diálogo e decisão pela turma.
    Um dos vários momentos, mais significativo, foi quando uma aluna considerada agressiva, desinteressada, relatou que sua mãe estava com câncer. A turma toda se sensibilizou com sua situação, choraram, e se colocaram na posição da colega. Após esse dia, a aluna em questão mostrou interesse pelas aulas, sentiu-se acolhida e a minha visão como professora mudou.
    Os alunos dessa turma fizeram vários relatos sobre o novo método aplicado, documentos esses arquivados para comprovação dos resultados.
    Segue na integra a descrição de duas alunas manuscritos e documentado no projeto na data de 21/07/15:
    ___ O projeto do círculo ajudou a desenvolver mais a comunicação da turma, ajudando a se soltar mais. Quando a professora Genice começou a trabalhar com esse projeto passamos a nos desenvolver mais pois conhecemos um pouco da vida de cada, isso fez com que desenvolvesse o respeito na sala, que no momento era pouco. No começo poucos alunos gostavam, pois ninguém da turma se dava bem, tanto com os colegas tanto com os professores. Parabenizo o criador desse projeto pois nossa turma melhorou muito.
    ___ O projeto aplicado em sala de aula pela professora Genice teve muitos resultados positivos.
    Depois do projeto muitos alunos melhoraram seus relacionamentos de amizade em sala de aula, a relação de respeito do aluno ao professor começou a ser melhor, os alunos passaram a se respeitar mais uns com os outros, e o rendimento escolar foi ótimo, pois dessa forma a turma ficou mais unida e passou a se ajudar mais.
    As conversas na turma diminuíram muito e a atenção ao professor era redobrada.
    Foi um ótimo projeto, pois ajudou os alunos a se relacionar melhor, a refletir um pouco com as frases de estímulos que eram dadas pela professora.
    Não há reclamações a fazer em relação à dinâmica pois só trouxe benefícios e gostaria que fosse possível trabalhar em todas as aulas com essa dinâmica.
    O rendimento quantitativo é comprovado pelo aumento gradativo das notas da turma, tudo documentado com registros.

    5.3 AVALIAÇÃO

    Através dos objetivos traçados, os resultados almejados concretizaram-se com o envolvimento e participação da turma. O aprendizado foi comprovado por vários métodos avaliativos, entre eles seminários, pesquisa, avaliação escrita, oral, entre outras.
    Os alunos realmente aprenderam a respeitar o próximo, a terem foco e concentração para adquirir seus objetivos, aumentaram na maioria as suas notas, a quantidade de atas destinadas a relatar indisciplinas diminuíram, a união se fez presente em várias situações, o diálogo foi estabelecido para a resolução de conflitos, as reclamações dos professores gradativamente extinguiram-se.
    Porém é preciso ser realista, a turma em questão apresentava um grau de dificuldade além do comum, com falta de base para o desenvolvimento de exercícios simples em matemática. O objetivo principal foi construir o conhecimento, especificamente direcionando as aulas para a relação da aplicação do curso Técnico em Alimentos com os cálculos.
    O diálogo no início da aplicação do projeto Círculo Restaurativo nas aulas de Matemática, foi constante. Os alunos têm que estar preparados para aceitar o conhecimento e desenvolvê-lo de maneira satisfatória, para que ocorra o ensino/aprendizagem. Nessa turma, a quantidade de aulas de matemática foi considerada um desafio, pois ter apenas dois encontros semanais ocasionou um trabalho mais lento.
    O processo metodológico aplicado necessita de continuidade, pois é algo que se deve trabalhar com frequência, uma vez que os resultados não são imediatos e com isso muitos professores ficam descrentes para desenvolver essa prática pedagógica.
    A avaliação da aprendizagem do estudante teve como base o projeto político pedagógico do colégio que define que serão oportunizados seguintes métodos avaliativos: avaliação parcial, uma avaliação bimestral, atividades desenvolvidas em sala de aula e trabalho extraclasse.
    Foi dada ênfase no que seria primordial em relação aos conteúdos para o bom desempenho e continuidade da aprendizagem do aluno. Todos os conteúdos programáticos foram cumpridos. Isso ocorreu com facilidade, apesar de poucas aulas na semana, através do comprometimento e apoio da turma. As aulas transcorriam de maneira agradável e gratificante, pois não eram interrompidas para chamar atenção por indisciplina ou falta de interesse. Isso não ocorreu de uma hora para outra e sim com o tempo. Para trabalhar com pessoas é necessário ter paciência e acreditar que todos são capazes de evoluir.
    A avaliação pessoal é algo complicado para fazer, porém com os resultados obtidos concluo que estou no caminho certo. Como profissional da educação continuo cumprindo o conteúdo programático e as regras estabelecidas para um bom desempenho do trabalho educacional. A prioridade no momento é tornar o ensino mais agradável, pois a assimilação dos conteúdos flui melhor. É preciso observar que nem todos os alunos foram atingidos de maneira satisfatória, e como o projeto é flexível, pode haver mudanças para atingir um número maior de alunos.
    A continuidade do projeto proporcionará capacitações para outros profissionais da educação, para orientá-los nessa nova metodologia. Modificações podem ocorrer, pois todos os projetos têm o lado positivo e negativo. Críticas construtivas para aprimorar a metodologia serão discutidas e analisadas. E sendo procedente e necessário é viável a mudança.
    Essa experiência mostra que trabalhar com prazer e satisfação torna o rendimento visível para o aluno e professor. A trajetória escolar para os alunos às vezes é algo difícil e mas é possível amenizar essa passagem dando uma atenção especial a esses estudantes. Na trajetória profissional encontro-me realizada após a execução do projeto. Sei que tenho muito que aprender, mas estou apta a evoluir. Erros terei, mas pretendo saná-los com discernimento e maturidade.
    O desafio maior que está ainda presente é o envolvimento dos professores e outros profissionais da educação. A maioria dos professores não quer sair de sua zona de conforto, pois já estão acostumados com suas metodologias, e caso os alunos não obtenham resultado satisfatório, na maioria das vezes é direcionada a culpa para o próprio educando.
    Para aplicação dessa metodologia é necessário que o educador queira trabalhar diferente e estar ciente que vai exigir uma dinâmica especial. Claro que nem todos os professores têm o perfil adequado para essa maneira diferente de trabalhar sua disciplina. Ter essa proximidade com o aluno assusta a maioria dos educadores. Nesse momento deve-se respeitar a postura do professor que não queira participar do projeto.

    5.4 REPLICABILIDADE

    A experiência do projeto pode ser replicada pelo professor em qualquer disciplina. É necessária vontade de fazer a diferença e acreditar que as mudanças podem ocorrer. Os resultados não são imediatos, são adquiridos com o tempo, porém satisfatórios.
    Para que essa replicação aconteça é primordial capacitar o professor, com um planejamento adequado com sua realidade. Existem técnicas para o melhor desempenho da metodologia aplicada. Os professores que fizerem a prática da aplicação do Círculo Restaurativo podem acreditar que os resultados serão os melhores possíveis. Ocorre a formação de um cidadão consciente de seus atos, e em relação ao aprendizado, estes ajudarão a construir o conhecimento.

    6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
    Acredita-se que o Círculo Restaurativo propicia vivenciar momentos de possibilidade de saber ouvir, compreensão, responsabilização e reparação, criando um clima satisfatório ao desenvolvimento da empatia para todos os participantes do Círculo Restaurativo e, como tal, constitui-se numa alternativa de intervenção que pode compor o consenso da solução de conflitos, promovendo experiências gratificantes a todos os envolvidos.
    No ambiente escolar a prática do Círculo Restaurativo, favorece o ensino aprendizagem do educando, pois esse se sente acolhido, respeitado como indivíduo pertencente ao meio. O respeito mútuo, pontualidade, cuidado com o ambiente, disciplina, são alguns resultados constatados no decorrer do estudo do comportamento dos indivíduos envolvidos no ambiente escolar.
    No meio escolar as relações entre alunos, professores, funcionários, coordenação, direção, famílias e comunidade, fazem surgir os conflitos, divergências, incompatibilidades de opiniões, e hoje a escola tem uma responsabilidade que vai muito além do ensino de um conteúdo pedagógico programado. Os educadores são impelidos a ter responsabilidade ativa em ensinar ao educando as habilidades de convivência com outros, que ajudarão em seu desenvolvimento social e pessoal.
    As habilidades de resolução de conflito são de grande valia para o educador, tanto no âmbito pedagógico como metodológico.

    REFERÊNCIAS

    ALMEIDA, Tania. Justiça restaurativa e mediação de conflitos. Disponível em: http://www.crianca.mppr.mp.br/arquivos/File/doutrina/justica_restaurativa/jr_mediacao_de_conflitos. pdf. Acesso em: 30 jun. 2016.

    BRANDÃO, Câncio Delano. Justiça restaurativa no Brasil: conceito, críticas e vantagens de um modelo alternativo de resolução de conflitos. Revista Âmbito Jurídico, Rio Grande, 30 jun. 2016. Disponível em: http://www.ambito-juridico.com.br/site/ index.php?n_link= revista_artigos_leitura&artigo_id=7946. Acesso em: 30 jun. 2016.

    COMUNICAÇÃO não-violenta. Disponível em: http://novoshabitos.com.br/ comunicacaonaoviolenta.htm. Acesso em: 03 jul. 2016

    CRUZ, Rafaela Alban. Justiça restaurativa: um novo modelo de justiça criminal. Tribunal Virtual IBCCRIM, ano. 1, ed. 2, mar. 2013. Disponível em: http://www.tribunavirtualibccrim.org.br/pdf/Edicao02_Rafaela.pdf. Acesso em: 30 jun. 2016.

    JUSTIÇA Restaurativa: Prof. Howard Zehr, um pioneiro. Disponível em: http://www.comitepaz.org.br/Howard_Zehr.htm. Acesso em: 03 jul. 2016.

    PRANIS, Kay. Círculos de justiça restaurativa e de construção da paz: guia do facilitador. [Porto Alegre]: Escola Superior de Magistratura da AJURIS; Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul, 2011. (Projeto Justiça para o Século 21). 46p. Disponível em: http://www.justica21.org.br/arquivos/guia praticakaypranis2011.pdf. Acesso em: 03 jul. 2016.

    PETRUCCI, Ana Cristina Cusin et al. (Org.). Justiça juvenil restaurativa na comunidade: uma experiência possível. Porto Alegre: Procuradoria Geral de Justiça; Assessoria de Imagem Institucional, 2012. Disponível em: http://www.acessoajustica.gov.br /pub/downloads/downloads_justica_juvenil.pdf. Acesso em: 03 ju. 2016.

    VASCONCELOS, Carlos Eduardo. Mediação de conflitos e práticas restaurativas: modelos, processos, práticas e aplicações. São Paulo: Método, 2008.

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